Bavi - A Maior Rivalidade do Brasil

Decisões

No campo, onde a bola rola e o futebol realmente acontece, é que o clássico Ba-Vi protagonizou seus melhores momentos. As decisões de campeonatos foram o ápice dos duelos, muitas vezes épicos, das duas maiores potências do futebol baiano.

Maiores vencedores do estado, Bahia e Vitória foram os clubes que mais conquistaram o título e mais vezes chegaram a decisões do Baianão. A alternância no ponto mais alto do podium e a freqüência com que se enfrentaram em finais de competição explica e muito a razão da rivalidade tão acirrada entre ambos.

Em Campeonatos Baianos, foram 27 decisões Ba-Vi. Por decisões, consideramos não só as finalíssimas, aqueles jogos em que quem ganha é campeão. Levamos em consideração partidas que definiram o título para um lado e onde o adversário foi o arqui-rival.

Como nos 20 primeiros anos de sua existência o Bahia já tinha um plantel profissional e o Vitória patinava no amadorismo, o tricolor levou certa vantagem até que o rubro-negro se estruturasse e criasse condições para enfrentar o rival em igualdade de condições. Prova disso é que, até o início da década de 1980, o Bahia venceu 12 decisões contra o Vitória, contra apenas quatro do oponente, em confrontos diretos – três vezes mais.

A partir daí as coisas começaram a mudar, principalmente do início dos anos 90 até os dias atuais. Com uma política racional de valorização das divisões de base e a reforma do Barradão como carros chefes de uma grande reviravolta no panorama dos confrontos decisivos, o Vitória começou a fazer frente ao Bahia. Tanto é que, nas últimas vezes em que se enfrentaram em finais, o leão ganhou quase o dobro de taças - 7 contra 4.

As decisões entre a dupla não ocorreram apenas em certames estaduais. Bahia e Vitória já decidiram por três vezes o Campeonato do Nordeste, com dois triunfos rubro-negros, em 1997 e 1999, e um tricolor, em 2002.

No placar geral, apesar do crescimento do Vitória nos últimos tempos, a vantagem ainda é do Bahia. Das 31 decisões Ba-Vi, foram 18 títulos tricolores (17 Baianos e um do Nordeste), contra 13 troféus rubro-negros (11 estaduais e dois do Nordeste). O inusitado é que a estatística traz um empate. Graças ao vergonhoso desfecho do Estadual de 1999, que foi parar no tapetão e acabou dividido entre os dois. Confira, abaixo, o resumo desta emocionante história.

1947 – Bahia levanta a primeira taça num Ba-Vi

Primeiro time do Bahia campeão em cima do Vitória, em 1947. Em pé – Pedrinho, Gereco, Arquimedes, Fernando, Cacetão, Zé Hugo, Velau, Viana e Isaltino; agachados: Baiano, Ivon, Zé Grilo, Lessa, Arnaldo e Evilásio.

O Vitória ainda não tinha adotado o profissionalismo no futebol, porém, mesmo com um plantel de amadores, fez bonito no Estadual de 1947 e chegou à decisão. O adversário era o poderoso Bahia, fundado a apenas 16 anos, mas que já dominava o cenário estadual, com oito títulos conquistados no período. Acabou prevalecendo a boa fase tricolor. Em 4 de janeiro de 1948, o Bahia jogava pelo empate, mas não precisou da vantagem. Comandado pelo goleiro Lessa e pelo ponta Isaltino, o tricolor fez 3 a 1, com gols de Jereco (2) e Isaltino, ficando com a taça. Dario descontou para o leão.

1950 – Tricolor é tetra

Após conquistar os Estaduais de 1948 e 1949, ambos sobre o Galícia, o Bahia se deparava novamente com o Vitória, desta vez, lutando pelo tetra e pela manutenção da hegemonia. O certame foi decidido em três jogos. O tricolor venceu o Ba-Vi de ida por 2 a 1, e precisava empatar a segunda partida, mas, num jogo espetacular, deu Vitória, por 4 a 3. Na “negra”, em 12 de novembro de 1950, com dois gols de Zé Hugo e um de Carmerino, o Bahia fez 3 a 1 e sagrou-se tetracampeão, o primeiro da história no futebol baiano. O gol do Vitória foi de Bigonha.

Zé Hugo, autor de dois gols, foi o herói do tetra, em 1950.

1955 – Vitória é campeão pela primeira vez sobre o rival

Com o seu departamento de futebol profissionalizado, o que se deu a partir da década de 1950, o Vitória passou a fazer frente ao Bahia e a se alternar na conquista dos títulos baianos com seu maior rival. A primeira taça do leão, após um jejum de 44 anos, veio em 1953. Em 1954, deu Bahia. Em 1955, a esperada decisão entre os maiores times da época aconteceu.

No primeiro jogo da final, impiedoso, o leão rugiu mais alto e fez 3 a 0. Em 25 de novembro de 1955, o Bahia deu o troco e venceu por 2 a 1, em peleja que acabou em pancadaria e muita confusão. A partida desempate foi marcada para o dia 1º de janeiro de 1956, justamente o aniversário de 35 anos de fundação tricolor. Era a primeira decisão entre os dois históricos rivais na Fonte Nova, fundada em 1950.

O Vitória não respeitou as festividades do rival. Brilhou a estrela do artilheiro Aduce, que balançou as redes três vezes. Alencar fez o quarto. O Bahia ainda tentou reagir, com tentos de Tonho, Bené e Carlito. Mas não teve jeito. Foi obrigado a amargar o vice e ver o rubro-negro comemorar em plena data de seu aniversário.

1957 – Vitória ganha a segunda em cima do Tricolor

Vitória, campeão de 1957, no jogo das faixas.

Depois de ficar fora da final de 1956, onde o Bahia derrotou o Fluminense de Feira, o Vitória armou um time forte, fez boa campanha e chegou a decisão do Estadual de 1957. O adversário, pela quarta vez era o tricolor, que até então tinha a vantagem em confrontos decisivos – dois títulos contra um. O leão não deu bola para o retrospecto e, em 16 de março de 1958, bateu o Bahia por 2 a 0 e levantou a sua quinta taça de campeão baiano. O herói da conquista foi Teotônio, autor dos dois gols.

O Vitória jogou com motivação extra. Seus atletas estavam furiosos. É que o presidente do clube, Luiz Catharino, tinha aparecido na véspera, na concentração, com uma foto dos jogadores do Vitória pintados como mulheres. Obra, segundo Catharino, do presidente do Bahia, Osório Villas-Bôas. Depois do triunfo, o dirigente rubro-negro, às gargalhadas, revelou que ele tinha forjado a farsa, para motivar o elenco. Deu certo!

1958 – Começa o penta

Otoney, Vicente, Geraldo e Leone comemoram o título de 1958.

Perdedor das duas últimas decisões contra o Vitória, o Bahia queria afastar o estigma de freguês, em 1958. Com a base do time que seria campeão brasileiro no ano seguinte, o Tricolor conseguiu. Já com o goleiro Nadinho, o zagueiro Henrique, os pontas Marito e Biriba, que brilhariam no Nacional, o Bahia leva a melhor na finalíssima, por 1 a 0, em 16 de maio de 1959. O gol foi de Geraldo. Era o primeiro dos cinco títulos consecutivos do clube entre 1959 e 1963. O título foi importante ainda porque classificou o Bahia para a 1ª Taça Brasil, o campeonato brasileiro da época. A competição acabou sendo vencida pelo tricolor, que tornou-se o primeiro campeão brasileiro da história e teve a honra de ser o Brasil na edição de estréia da Taça Libertadores da América.

1959 – Primeira decisão nos tribunais

O campeonato baiano de 1959 só foi decidido em fevereiro de 1961, graças a uma intensa disputa jurídica entre a dupla Ba-Vi. Isso porque o Bahia entrou na Justiça Desportiva pleiteando a anulação do jogo em que perdeu de 2 a 0 para o Galícia. A alegação era de irregularidade na escalação de Eliezer, autor dos dois gols no jogo. O triunfo do Galícia dava o título ao Vitória. Sucesso do Bahia forçava a realização de uma melhor de quatro Ba-Vis.

Depois de quase dois anos de briga nos tribunais, o Bahia conseguiu provar a irregularidade no caso Eliezer e a série decisiva foi disputada a partir de dezembro de 1960. Já campeão brasileiro, o Bahia venceu o primeiro jogo por 3 a 1. O Vitória deu o troco e fez 1 a 0 no segundo. No terceiro embate, Bahia 2 a 0. No quarto e decisivo confronto, no dia 26 de fevereiro de 1961, na Fonte Nova, Alencar e Léo marcaram os gols da vitória tricolor por 2 a 0 e deram, enfim, o bicampeonato ao clube.

1962 – Penta sobre o leão

Poster do time penta campeão de 1962.

A decisão do Estadual de 1962 colocou os rivais frente a frente novamente, mas em situações completamente distintas. O Bahia estava em estado de graça. Tetracampeão estadual, campeão brasileiro de 1959 e vice em 1961. Já o Vitória vivia um jejum de quatro anos sem títulos. Não deu outra. No jogo decisivo, em 31 de março de 1963, na Fonte Nova, o tricolor confirmou o favoritismo, por 2 a 1, com gols de Hamilton e Nilsinho. Touro descontou para o Vitória. O Bahia era o primeiro time do estado a faturar cinco campeonatos seguidos.

1964 – Fim do jejum rubro-negro, em silêncio

O Vitória amargava o seu maior jejum de títulos na época do profissionalismo – sete anos. Todos começavam a duvidar da capacidade rubro-negra de levantar a taça e alguns apostavam que aquele era o princípio de uma nova fila, que poderia fazer frente aos 44 anos sem taça que precederam a profissionalização do futebol do clube. Que nada. Em campo, o Vitória mostrou ser time grande. Despachou o papão Bahia no jogo decisivo e voltar a ser campeão baiano. Em 30 de maio de 1965, na Fonte Nova, Vitória 2 a 1. O herói foi Itamar, autor dos dois gols. Mário fez o de honra do Bahia.

O fato curioso é que o título rubro-negro não foi noticiado por nenhum órgão da imprensa baiana. Foi uma represália à invasão armada do presidente do Vitória, Ney Franco, ao jornal Diário de Noticiais. O episódio ficou conhecido como “campeonato do silêncio”.

1971 – Ba-Vi volta a ser o centro das atenções

Após seis anos, a torcida baiana voltou a presenciar uma final de campeonato entre Bahia e Vitória. Foi o maior período sem Ba-Vis em decisões desde a profissionalização do futebol no Vitória, na década de 1950. O Vitória contava com um de seus maiores jogadores de todos os tempos, Mário Sérgio. Mas o Bahia tinha Baiaco, Artur e cia.

Na decisão, em 1º de agosto de 1971, o Bahia abriu o placar com Artur, cobrando pênalti cometido por Adílson, aos 14 minutos do segundo tempo. No decorrer do jogo, André Catimba, do Vitória, chutou o goleiro Renato após disputa de bola e começou uma tremenda confusão. O governador Antônio Carlos Magalhães, que assistia o jogo das tribunas, teve que entrar em campo para acabar com a briga. A bola voltou a rolar, o Bahia segurou uma forte pressão até o fim e acabou ficando com o título.

1972 – Deu Vitória na decisão número 10

Os campeões baianos de 1972. Em pé: Aguinaldo, Luís Carlos, Valter, Fernando, Leleu e França. Agachados: Giriba, Juarez, Almiro, Zé Eduardo e Mário Sérgio.

O Vitória apostava em um poderoso trio ofensivo para impedir mais um bi do Bahia. Osny, André Catimba e Mário Sérgio não decepcionaram. Na final, em 17 de dezembro de 1972, a décima entre a dupla Ba-Vi, Osny fez dois e André Catimba fechou o placar. Natal assinalou o tricolor, mas o Bahia de Douglas, Eliseu, Buticce e Baiaco tinha mesmo que se contentar com o vice na Fonte Nova. Foi a única taça que o Bahia não faturou na década de 1970.

1974 – Bahia impõe 13 anos de freguesia

A final de 1974, em 18 de dezembro daquele ano, foi dramática. O Bahia abriu o placar ainda no primeiro tempo. Thyrso recebeu lançamento de Fito e tocou para Piolho balançar as redes. No final da etapa, o tricolor perdeu Marquinhos, expulso. Foi a deixa para o Vitória crescer, impulsionado pelo trio Osny, Catimba e Mário Sério. O leão pressionou até o fim, mas o Bahia resistiu bravamente, graças, principalmente, a intervenções milagrosas de Zé Luiz. O título dava início ao período de 13 anos sem perder finais para o Vitória. Era o bicampeonato tricolor.

Piolho faz o gol do título tricolor em 1974.

1975 – Retranca vale o tri

Invicto a 24 jogos no estadual, precisando apenas de um empate para ser tricampeão baiano, o Bahia disputou a final de 1975, contra o Vitória, na retranca. Postura assumida publicamente, sem constrangimento, pelo técnico Zezé Moreira. Tudo porque, no domingo anterior, o Vitória tinha dado muito trabalho no primeiro jogo da final, um empate em 1 a 1.

Fechado a sete chaves, o Bahia foi a campo no dia 7 de agosto de 1975 para garantir a taça. E conseguiu, graças a uma atuação magistral do lendário beque Roberto Rebouças. Final de jogo, 0 a 0 e tricolor tricampeão pela terceira vez.

1976 – Timaço conquista o tetra, com mandinga?

Comandado por craques do quilate de Jorge Campos, Douglas, Beijoca e Jesum, o Bahia possuía um verdadeiro esquadrão. Já o Vitória não era o mesmo dos últimos anos, fragilizado com as saídas de André Catimba, Osni e Mário Sérgio.

Mesmo assim, foi o Vitória que saiu na frente no primeiro jogo da decisão, com Ubaldo. Mas, com gols de Fito e Beijoca, o Bahia virou o placar e ganhou por 2 a 1. o resultado dava a vantagem de jogar pelo empate no dia 26 de agosto de 1976. Aos 36 do primeiro tempo, Jesum escapou pela esquerda e cruzou para Beijoca, de cabeça, colocar no canto do goleiro Andrada. Era o gol do tetra.

Romero é expulso pelo árbitro Manoel Serapião, companheiros reclamam, mas o Bahia consegue virar e ficar com o tetra.

Apesar da superioridade técnica do Bahia ao longo da competição, a quem diga (rubro-negros) que o Bahia ganhou o título de 1976 na base macumba, devido às grandes coincidências negativas para o Vitória envolvendo o jogo decisivo. Vejamos. Um dos craques do time, Osni, ficou fora da final. O goleiro Andrada desmaiou no jogo anterior. Uchoa também foi desfalque, machucado. Acometido por uma infecção intestinal, Geraldão passou a semana da decisão sem treinar e só agüentou ficar 35 minutos em campo. Com dores no nervo ciático, Piau não jogou tudo o que sabia. Dedodato, com câimbras, não pôde exercer a tradicional marcação sobre Jesum. Por último, Ferreti fraturou a clavícula num choque com Zé Augusto. Será?

1977 – Penta da “máquina tricolor”

Bahia e Vitória disputam clássico em 1977.

Em 1977, o Bahia manteve a mesma base da conquista do tetra. Mais entrosado, o time fez uma campanha ainda melhor. Perdeu apenas dois dos 38 jogos disputados e recebeu da torcida o apelido de “máquina tricolor”.

Chegou à decisão, em 22 de maio de 1977, contra o maior rival, invicto a 27 jogos. O Vitória se superou, fez uma grande partida. Conseguiu sair de campo sem tomar gols, mas também não foi capaz de balançar as redes. O 0 a 0 transformava o Bahia no primeiro pentacampeão baiano da história. A festa após o apito final foi tão grande que Douglas saiu do estádio e esqueceu que tinha sido relacionado para o exame antidopping. Precisou voltar.

Apesar da qualidade técnica do time que comandava, o técnico Carlos Froner atribui a outra coisa a conquista do penta. É que ele usou a mesma camisa cinza quadriculada nos 38 jogos do campeonato.

1979 – Mãozinha de Gelson dá o Hepta

Baiaco, do Bahia, e Dendê, do Vitória, travaram um duelo marcante no Baianão de 1979. Melhor para o primeiro, que ficou com o hepta.

Em 1979 o Vitória estava determinado a quebrar a seqüência de título do Bahia, que já era hexa do estadual. Tinha montado um dos melhores times dos últimos anos, com Gelson, Xaxa, Sena e Jorge Campos. Em campo, o rubro-negro obteve o resultado esperado e ganhou os dois turnos. A vantagem na decisão contra o eterno rival era rubro-negro – bastavam dois empates para sair da fila. O Bahia já não tinha Beijoca e Jesum, comercializados, respectivamente, com Flamengo e Grêmio. Mas contava agora com o ponta Gilson Gênio.

Na primeira decisiva, o favorito Vitória saiu na frente, com Sena. Mas Botelho e Zé Augusto viraram o placar. No segundo jogo, 0 a 0 e a necessidade de um terceiro confronto. Ao Vitória, bastava o empate. O tricolor tinha eu vencer para conquistar o tão sonhado e inédito hepta.

Em 28 de setembro de 1979, os dois maiores clubes do estado travaram uma das maiores batalhas da história do clássico. Na raça, o Vitória resistia bravamente às investidas do Bahia e enchia seus torcedores de esperança. Nas arquibancadas, os rubro-negros já ensaiavam o grito de campeão.

Dadá Maravilha, destaque tricolor em 1981.

O jogo se aproximava do fim quando Fito entrou no jogo para mudar o rumo da partida. Foi dele um chute despretensioso, da intermediária, que, por volta dos 35 minutos do segundo tempo foi aceito pelo goleiro Gelson, num dos frangos mais memoráveis já “papados” na Fonte Nova. O leão não tinha mais tempo para reagir. Melhor para o Bahia, que comemorou o hepta, feito que permanece inigualável.

1981 – Campeão do cinqüentenário

Vencer o campeonato de 1981 era uma questão de honra para o Bahia. Afinal, o clube não podia deixar de ser campeão no ano de seu cinqüentenário. Para chegar lá, o tricolor trouxe reforços de peso. Os campeões mundiais de 1962, Aymoré Moreira (técnico), e 1970, Dadá Maravilha (atacante) chegaram.

O triangular final reúne Bahia, Vitória e Catuense. O Ba-Vi decisivo foi disputado em 29 de novembro de 1981. O leão saiu na frente, com César. Mas Osni, agora no Bahia, e Gilson viraram o jogo e deram o título de presente ao tricolor nos seus 50 anos.

1985 – Leão perde, mas quebra tabu

Em 1985, o Vitória foi campeão em cima do Bahia mesmo perdendo os dois jogos decisivos com o rival. É que a dupla se encontrou no quadrangular final daquele Estadual, disputado ainda por Serrano e Catuense. O rubro-negro fez boa campanha contra os times do interior. Já o Bahia venceu apenas um dos quatro jogos contra a dupla caipira. Com isso, apesar dos triunfos tricolores por 1 a 0 e 2 a 1 nos Ba-Vis decisivos, deu Vitória, quebrando um tabu de 13 anos sem conquistas em confrontos diretos com o rival.

1988 – Tri debaixo de porrada

Depois de sete anos, Bahia e Vitória voltavam a se enfrentar numa final de Campeonato Baiano. No dia 7 de agosto de 1988, quem ganhasse seria campeão. O Bahia já tinha em seu plantel Ronaldo, João Marcelo, Bobô, Gil, Paulo Rodrigues e Zé Carlos, a base que seria campeã nacional naquela temporada. O técnico Era Evaristo de Macedo.

Na final, na Fonte Nova, o Tricolor não deu chance para o Vitória. Pereira, Renato e Osmar fizeram os gols no triunfo por 3 a 0. Bahia tricampeão. O jogo foi encerrado aos 40 minutos do segundo tempo pelo árbitro Ducillo Wanderley Bucilla, por causa de uma pancadaria generalizada. O tumulto começou quando Osmar e o goleiro do Vitória, Tonho, se desentenderam após o terceiro gol do Bahia.

Final de 1988 termina em pancadaria.

1989 – Leão barra o tetra do Campeão Brasileiro

Atual tricampeão baiano e campeão brasileiro, o Bahia era franco favorito para levar o tetra em 1989. Mas o Vitória ganhou dois dos quatro turnos e chegou na decisão com vantagem. No dia 25 de outubro de 1989, o leão jogava pelo empate contra o Bahia desfalcado. O rubro-negro segurou o 0 a 0 e levou a taça para a toca.

1992 – Leão é soberano

Ninguém pode dizer que a conquista do Baianão de 1992 pelo Vitória foi uma injustiça. Afinal, o rubro-negro ganhou os quatro turnos da competição e levou a taça sem precisar de um jogo final. Incontestável. O leão estava mordido com o rebaixamento para a segunda divisão do campeonato brasileiro no ano anterior.

A decisão antecipada do certame aconteceu no dia 13 de dezembro de 1992. Bastava um empate para o leão ficar com o título do quarto turno e, consequentemente, o Estadual. E o Vitória começou arrasador, impondo 2 a 0, com gols de Zé Roberto e Artuzinho. O Bahia ainda esboçou uma reação e empatou o jogo, com Edmilson e Marcelo Ramos. Mas, aos 39 do segundo tempo, Dão fez o terceiro. Ramos ainda deixou tudo igual de novo, aos 42, mas nada que ameaçasse a festa rubro-negra na Fonte Nova.

1993 – Tricolor paga na mesma moeda

Com 22 gols, Marcelo Ramos do Bahia foi o artilheiro do Baianão de 1993.

O Bahia estava ferido em 1993 depois de assistir o passeio rubro-negro no Estadual de 1992. O Tricolor queria igualar o feito do rival, ganhar também os quatro turnos e ser campeão sem final. Para chegar lá, contratou o goleiro Uruguaio Rodolfo Rodriguez e manteve o meia Uéslei, além do atacante Marcelo Ramos.

Na luta pela reconquista do título, o Bahia tinha pela frente o Vitória com uma das melhores formações da sua história – Dida, Paulo Isidoro, Rodrigo, Alex Alves, Vampeta. Era a base que assombraria o país meses mais tarde ficando com o vice-campeonato brasileiro.

Apesar da qualidade do rival, o Bahia conseguiu repetir o feito do Vitória no ano anterior. Comandado pelo técnico João Francisco, o tricolor chegou à final do quarto turno precisando de um empate para também ser campeão estadual. No dia 27 de junho de 1993, o Bahia segurou o 0 a 0 na Fonte e conseguiu a proeza.

1994 – Um gol para a história

A final do Campeonato Baiano de 1994 vai ficar marcada para sempre na memória dos torcedores da dupla Ba-Vi. Nos tricolores, pelas ótimas sensações causadas. Nos rubro-negros, pelo início de um trauma.

Foi em 7 de agosto de 1994 que Bahia e Vitória se enfrentaram na final do Estadual daquele ano. Ao Tricolor, bastava o empate. A Fonte Nova recebeu o maior público pagante da história dos Ba-Vis – 97.200 pessoas.

O leão abriu o placar com Dão, no finalzinho do primeiro tempo. O atual vice-campeão brasileiro segurava o resultado até os 47 minutos do segundo tempo. A torcida rubro-negra já comemorava nas arquibancadas, enquanto os tricolores, frustrados, iam tomando o caminho de casa. Foi quando a estrela tricolor resolveu dar o ar de sua graça.

O goleiro Jean deu um bico para frente. O zagueiro Advaldo escorou de cabeça. O meia Souza, também de cabeça, deu um toque na frente e achou Raudinei na área. O atacante, que entrou no segundo tempo, não perdeu tempo e emendou de primeira, vencendo o goleiro Roger. Delírio total da torcida do Bahia. Desespero rubro-negro. Bahia bicampeão.

Bahia 1x1 Vitória

Local: Fonte Nova
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas/ FIFA-MG
Auxiliares: Raimundo Nascimento e Wilson Paim
Renda: R$ 240.730,00
Público: 97.200 pagantes
Gols: Dão, aos 44 do 1º tempo e Raudinei, aos 46 do 2º tempo
Cartão Amarelo: China, Roger, João Marcelo, Rodrigo, Serginho e Raudinei.
Expulsões: Souza e Gelson
Bahia: Jean; Odemilson, Advaldo, Missinho e Serginho; Maciel (Raudinei), Souza, Ueslei e Paulo Amílio; Zé Roberto (Naldinho) e Marcelo Ramos.
Técnico: Joel Santana
Vitória: Roger; Rodrigo, João Marcelo (Gelson), China e Roberto; Dourado, Ramos e Giuliano; Alex Alves, Dão e Pichetti (Fabinho).
Técnico: Sérgio Ramirez

1997 – Vitória conquista o Nordeste

Em 1997, Bahia e Vitória se enfrentaram pela primeira vez pela decisão de um titulo interestadual, a Copa do Nordeste. O leão chegou à final com a vantagem de jogar por dois empates, pois tinha feito melhor campanha ao longo do certame.

No primeiro jogo, na Fonte Nova, o Vitória deu um baile. Comandado em campo pelo tetracampeão mundial Bebeto, o rubro-negro não teve dó do Bahia. Goleou, por 3 a 0, com gols de Uéslei (ex-tricolor), Gil Baiano e Chiquinho.

No jogo de volta, a fatura estava praticamente liquidada. O leão podia até perder por três gols de diferença que levava a taça para casa. Mesmo contando com a elegância de um dos maiores jogadores da sua história, Bobô, o Bahia não foi páreo para o Vitória. A partida marcou a despedida do craque em Ba-Vis. No dia 25 de maio, na Fonte, o tricolor até venceu, por 2 a 1, com gols de Ney Santos e Bebeto Campos (contra), com Gil Baiano descontando. Mas não conseguiu estragar a festa rubro-negra. Vitória campeão do Nordeste.

1997 – Tri inédito em cima do rival

Menos de um mês depois da conquista da Copa do Nordeste sobre o maior rival, o Vitória tinha pela frente o Bahia, mais uma vez numa final de campeonato. Esta, ainda mais especial. Levar o Baianão de 1997 significaria para o leão uma façanha inédita, afinal, o leão nunca tinha sido tricampeão.

Outro fato que valorizaria o feito era o de, pela primeira vez, o rubro-negro enfrentar o tricolor no estádio Manoel Barradas em uma finalíssima. Em 1995 e 1996, o Vitória tinha alcançado o bi com tranquilidade. Grande aliado na conquista foi o Manoel Barradas, de propriedade rubro-negra, construído em 1981 e reaberto para jogos oficiais em 1995, depois de uma longa reforma e modernização. O Barradão, como é conhecido, foi palco das duas conquistas, nenhuma delas, porém, contra o Bahia, que não teve competência para chegar naquelas finais.

O Vitória chegou com grande vantagem em sua primeira final contra o Bahia em casa. Podia perder até por dois gols de diferença, pois tinha batido o rival, no jogo de ida, na Fonte Nova, por 3 a 0. Um baile com gols de Agnaldo, Uéslei e Emerson. No dia 15 de junho de 1997, o Bahia até foi páreo para o leão, mas só no jogo, porque o campeonato estava no papo. Um gol de Eduardo jogou chopp, mas não estragou a festa do Vitória, pela primeira vez, tricampeão baiano de futebol, para alegria dos comandados do técnico Artuzinho e da torcida. Venceu o melhor e os números são prova disso – 17 vitórias, três empates, apenas duas derrotas, 62 gols marcados e 17 sofridos. A hegemonia do futebol local, definitivamente, havia mudado de mãos e cores.

1998 – Campeão em pleno Barradão

Uéslei, Souza e Jean comemoram o título de 1998, em pleno Barradão.

Em 1998 o leão buscava o inédito tetra, enfrentando pela primeira vez o tricolor em casa numa decisão. Era a chance de fazer uma festa histórica, mas o Bahia não deixou.

Rebaixado no Brasileiro no ano anterior, o tricolor procurou reagir fora dos campos. Fechou uma parceria milionário com o banco Opportunity, que injetou dinheiro no clube e proporcionou a formação de um elenco forte. O Tricolor formou um timaço, que tinha os meias Uéslei (de volta ao clube após passagens por Cruzeiro, Guarani, São Paulo, Flamengo e Vitória), Marquinhos e Fábio Baiano, o goleiro Jean e o zagueiro Nenê como expoentes.

Apesar de ter feito campanha inferior ao longo da competição, o Bahia conseguiu reverter a vantagem rubro-negra nas finais ao fazer 2 a 0 no jogo de ida, na Fonte Nova, gols de Clébson e Uéslei, novamente no tricolor. No dia 24 de maio de 1998, o tricolor podia até perder por um gol de diferença no santuário rubro-negro, o Barradão, que até então tinha servido apenas como palco de alegrias para o Vitória.

Em campo, porém, o Barradão não fez a diferença como anteriormente. Apesar de tomar um verdadeiro sufoco, sofre um gol, de Evando, e não conseguir marcar, a derrota por 1 a 0 reconduziu o Bahia ao caminho dos títulos e adiou o sonho do tetra rubro-negro. O Vitória até hoje reclama de outro gol de Evando, anulado pela arbitragem.

1999 – O Ba-Vi mais longo (vergonhoso) de todos os tempos

O dia 13 de junho de 1999 marca o início do capítulo mais longo e vergonhoso da história dos Bavis. Era na data que deveria acontecer a final do Campeonato Baiano daquele ano, que, por uma manobra judicial, não aconteceu.

O tricolor venceu o jogo de ida, na Fonte Nova, dia 7 de junho, por 2 a 0, com gols de Clébson e Uéslei. Apesar disso, na semana do jogo de volta, o Bahia motivou uma ação popular do Clube de Regatas Itapagipe, na Justiça Comum, solicitando a modificação do local do segundo jogo decisivo, do Barradão para a Fonte Nova. A alegação do Itapagipe era de que o estádio rubro-negro, recém reformado, não tinha condições de segurança para abrigar o jogo, devido ao entulho que restou das obras.

A Justiça acatou a ação e ordenou a mudança do jogo para a Fonte Nova. Alegando que não tinha recebido o comunicado oficial da Federação Baiana, ignorando a ampla divulgação da imprensa e a publicação de notas da FBF nos jornais de maior divulgação, o Vitória, em protesto, não compareceu ao Otávio Mangabeira. Ao invés disso, no dia o hora do jogo, levou seu time a campo no Barradão, local para onde a decisão estava programada anteriormente.

Já o Bahia, na Fonte Nova, foi declarado vencedor, por WO, pela arbitragem, mas não pela Federação Baiana, que deixou o título sub judice. A partir daí, a dupla travou uma intensa batalha no tribunais até que, em 14 de janeiro de 2005, quase seis anos depois, a Federação Baiana de Futebol resolveu dividir o título de 1999. Foi a primeira e única vez que isso aconteceu.

1999 – O troco, no campo

Duas semanas depois de levar uma rasteira do maior rival e se ver impedido de lutar pelo título estadual de 1999, o Vitória teve a chance de se vingar da maracutaia armada pelo tricolor, que levou aquela decisão para o tapetão.

Foi na final da Copa do Nordeste. No jogo de ida, o Vitória fez 2 a 0, no Barradão, com tentos do uruguaio Hernandez, mostrando que era possível reverter, no campo, a vantagem do rival na finalíssima do Estadual de 1999, já que era um placar exatamente igual aquele que o Vitória precisava para ser Campeão Baiano.

Em 27 de junho, o Vitória entrou em campo na Fonte Nova podendo até perder por um gol de diferença para ser Bicampeão do Nordeste. E foi o que aconteceu. O Bahia ganhou, mas não levou. Gol de Uéslei. Vingado, o leão é que rugiu mais alto e deu a volta olímpica na Fonte, apesar de atuar desfalcado de seu maior craque, Petkovic.

Bahia 1x0 Vitória

Local: Estádio da Fonte Nova
Data: 27/06/1999.
Gol: Ueslei, aos 28 minutos do primeiro tempo, para o Bahia.

Bahia
: Gilberto; Clébson (Vinícius), Wellington, Júnior e Jefferson; Marcão, Lima, Jorge Wágner e Luís Carlos Capixaba; Ueslei e Robson Luís.
Técnico: Joel Santana.

Vitória - Fábio Costa; Eloy, Moisés, Edinho e Leandro; Otacílio, Preto, Tácio (Russo) e Fernando; Cláudio e Kléber (Artur depois Valdomiro).
Técnico: Ricardo Gomes.

Renda: R$ 211.752,50.
Público: 40.354 pagantes.
Árbitro: Francisco Dacildo Mourão (Fifa/CE).
Assistentes: Benoni Barbosa Júnior e Manoel Aguiar Silva (CE).
Cartões amarelos: Wellington, Robson Luís, Marcão (Bahia), Fernando, Artur e Cláudio (Vitória).
Cartão vermelho: Lima (Bahia).

2000 – Barradão faz a diferença de novo

Rubro-Negros comemoram o título de 2000 com a taça.

Bahia e Vitória fizeram campanhas parecidas no último Baianão do Século XX. Cada um venceu o turno e só não chegaram à decisão em pé de igualdade porque o rubro-negro tinha chegado nas finais das duas etapas, enquanto o tricolor fez apenas uma.

O favoritismo era tricolor, que chegava à final embalado com o triunfo sobre o rival na final do segundo turno, com uma goleada de 3 a 0 na Fonte Nova. O Vitória tratou de baixar o fogo do adversário com um empate em 1 a 1 na primeira decisiva, gols de Bebeto Campos, para o Bahia, e Artur, para o Vitória.

Na finalíssima, o Barradão fez a diferença de novo. O leão saiu na frente, com Juninho Petrolina. O Bahia chegou ao empate, num gol contra de Marcone. Nos acréscimos do primeiro tempo, Fernando, de falta, recolocou o rubro-negro em vantagem. No segundo tempo, o lendário técnico Evaristo de Macedo botou o Bahia todo para frente, com três atacantes. O Vitória suportou bem e, no contra-golpe, deu o “tiro de misericórdia” no rival, com Cláudio, que driblou o goleiro e fez o gol do título. O arqueiro tricolor Emerson caiu em prantos após ser deixado no chão, numa imagem marcante. Em vão.

Vitória 3x1 Bahia

Local: Estádio Manoel Barradas.
Data: 2 de julho de 2000
Gols: Juninho Petrolina, Fernando e Cláudio para o Vitória, descontando Marcone, contra, para o Bahia.
Renda: R$ 221.182,00.
Público: 24.211 pagantes.
Árbitro: Paulo César Oliveira (Fifa/SP).
Assistentes: Valdomiro Alcântara e Argemiro Carvalho (BA).
Cartões amarelos: Flávio, Artur, Juninho Petrolina (Vitória), Ueslei, Valder, Curê e Bebeto Campos (Bahia).
Cartões vermelhos: Moura (Vitória) e Jean (Bahia).
Preliminar: Vitória 3x1 Ypiranga (amistoso de juniores).

Vitória:
Paulo Musse; Moura, Flávio, Marcone e Leandro; Pingo, Claiton, Fernando (Xavier) e Juninho Petrolina (Felipe); Artur (Mateus) e Cláudio.
Técnico: Arturzinho.

Bahia: Emerson; Clebson, Jean, Valder e Jefferson; Reginaldo Nascimento (Valdomiro), Bebeto Campos, Luís Carlos Capixaba (Carlos Alberto) e Paulo César (Curê); Marcos Paulo e Ueslei.
Técnico: Evaristo de Macedo.

2002 – O Barradão é tricolor

Torcida do Bahia fez festa pela segunda vez na casa do rival, em 2002.

O Vitória tinha liderado o Campeonato do Nordeste de ponta a ponta e chegou à decisão como franco favorito. Depois de um início irregular, o Bahia, atual campeão, se acertou na competição, eliminou o Náutico na semifinal e também chegou lá. O grande trunfo tricolor era o trio ofensivo formado por Nonato, Robgol e Sérgio Alves, sucesso absoluto na fase classificatória.

Os três acabaram sendo decisivos no jogo de ida. O Bahia venceu por 3 a 1, reverteu a vantagem e o favoritismo. Os gols? Nonato, Robgol e Sérgio Alves, com Samir descontando para o leão.

Na finalíssima, apesar de poder perder até por um gol, o Bahia temia o “efeito Barradão”. E não era para menos. O tricolor não vencia o rival desde 1998 no Manoel Barradas.

Mas quando a bola rolou, o Bahia tratou de exorcizar o fantasma. O Vitória chegou a estar vencendo por 2 a 1, com gols de Robson Luiz e Fernando. Mas um cruzamento perfeito de Capixaba, na cabeça de Nonato, para o segundo gol do artilheiro no jogo, tratou de tranqüilizar a massa tricolor que, feliz, passou a gritar das arquibancadas, assim que a partida terminou: “O Barradão é nosso”. Bahia bicampeão do Nordeste.

2004 – É tri de novo

O Vitória buscava o seu segundo título de tricampeão baiano em 2004. No bi, porém, o rubro-negro não teve que enfrentar o maior rival em finais. Desde 2000 os clubes não enfrentavam numa decisão de Estadual. Em 2001, o Bahia tinha sido campeão em cima do Juazeiro. Em 2002, o leão levou a taça num confronto contra o Fluminense, enquanto que em 2003 a vítima do felino havia sido o Juazeiro.

Depois da vexatória campanha de 2003, a pior de sua história em estaduais, sendo o nono colocado, o Bahia sob o comando do técnico Vadão teve uma participação regular e chegou com tranquilidade à final do Baianão 2004. Não seria nada fácil para o tricolor, porém, reconquistar a hegemonia do futebol baiano.

Vitória na frente de novo.

O adversário na decisão era o turbinado Vitória, que contava com craques do porte do atacante Edílson e do meia Vampeta, campeões da Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira. O leão tinha a vantagem de atuar por dois empates e fazer o último jogo no Barradão, pela quarta vez seguida em decisões de estadual com o seu maior rival.

A expectativa de todos era que o Vitória atropelasse o Bahia, que tinha um time ainda em formação, já que o objetivo primordial do clube na temporada era a disputa do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, que começaria uma semana depois do término do Estadual. Além disso, o tricolor e sua torcida estavam com a auto-estima e o orgulho destroçados, pois o time carregava o humilhante rótulo de lanterna do Brasileirão de 2003, condição que o levou ao rebaixamento pela segunda vez em seis anos.

O esperado atropelo não aconteceu, mas a resistência apresentada pelo Bahia não foi suficiente para evitar o que a maioria já previa. Apesar do golaço de Galeano no jogo de ida, numa belíssima bicicleta, o Vitória conseguiu empatar em 1 a 1, graças ao atacante Obina, e manteve a vantagem para o Barradão. No dia 18 de abril de 2004, em sua casa, o leão não decepcionou a sua torcida. Bateu o rival por 1 a 0, gol de Arivélton e, pela segunda vez em uma centenária existência ficou com o tri do Campeonato Baiano.

2005 – Tetra invicto e com humilhação histórica

O Campeonato Baiano de 2005 vai ficar marcado, sem dúvida, pela conquista inédita e invicta do tetracampeonato pelo rubro-negro. Mas no futuro, a grande referência sobre o certame vai ser, certamente, a humilhante goleada imposta pelo Vitória ao Bahia, no Barradão, ainda pela fase classificatória – 6 a 2, no dia 20 de fevereiro. Os gols dos vencedores foram de Gilmar (2), Edílson, Claudiomiro, Leandro Domingues e Alecssandro. Dill e Fernando Miguel diminuíram para o destroçado Bahia, que teve que agüentar calado os gritos de olé vindos da arquibancada. Foi simplesmente a maior vitória do leão em clássicos desde 1948.

Marcelo Heleno comeu grama para comemorar o tetra.

Depois daquele passeio, ninguém acreditava que o Bahia fosse páreo para o Vitória nos dois jogos decisivos. Até mesmo porque o tricolor não tinha ido mal apenas no desastre de 20 de fevereiro. Apresentações ruins, sem convencer a torcida, foram uma constante do time na competição, apesar de contar com jogadores renomados como os atacantes Dill e Viola.

No jogo de ida, em 10 de abril, até que o Bahia foi bem. Vencia por 2 (Viola e Guaru) a 1 até os 44 do segundo tempo e enchia o torcedor de esperança. Foi quando, numa bola cruzada na área, o volante Xavier escorou de cabeça para o fundo das redes e manteve o leão com vantagem para a partida de volta, mais uma vez no Barradão, evitando a perda da invencibilidade. Uma comemoração inusitada marcou esse jogo. Ao fazer o primeiro gol do Vitória, o zagueiro Marcelo Heleno, na comemoração, se ajoelhou e comeu um facho de grama da Fonte Nova.

Na partida de volta, em 18 de abril, no Barradão lotado, o Bahia abdicou da opção de vencer, ao entrar em campo com três zagueiros e dois volantes, num sistema inexplicavelmente defensivo para um time que precisava vencer para ser campeão. Era o trauma do 6 a 2. Sem ser ameaçado, o Vitória acabou não fazendo muito esforço para atacar, soube administrar o resultado e, contando com o regulamento, segurou o 0 a 0 até o fim e comemorou o tetracampeonato. Seu oitavo título nos últimos 10 estaduais.

Vitória 0x0 Bahia

Data: 18/04/2005
Local: Barradão.
Expulsão: Itamar (aos 34min no 2º tempo).
Cartões amarelos: Xavier, Vinícius, Reginaldo e Neto Apolônio.
Renda: R$294.750.
Público: 29.773 pagantes.
Arbitragem: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS), assistido por Alessandro Álvaro Rocha Matos e Belmiro da Silva.
Vitória: Felipe; Carlos Magno, Marcelo Heleno e Sandro; Xavier, Vinícius (Itamar), Leandro Domingues e Zé Roberto; Gilmar (Alex Alves) e Alecsandro (Marcelo Ramos).
Técnico: Renê Simões.
Bahia: Márcio; Leonardo, Reginaldo e Allyson (Wellington); Paulinho (Neto Potiguar), Fernando Miguel, Neto Apolônio (Cícero), Guaru e Badé; Dill e Viola.
Técnico: Hélio dos Anjos.

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