Bavi - A Maior Rivalidade do Brasil

O Ba-Vi nos Bastidores

Transferência de jogadores e até mesmo dirigentes de um clube para o outro. O interesse mútuo pelo mesmo craque. Sempre foram motivos suficientes para agitar os bastidores dos Ba-Vis e, muitas vezes, estremecer as relações entre os clubes. Aqui não nos interessa o juízo de valor, saber quem estava com a razão ou se as ações dos clubes feriram ou não os princípios da ética. Nosso único intuito é o de informar. Confira, abaixo, uma relação dos episódios mais polêmicos.

O “roubo” de Raul

Raul, “roubado” pelo Vitória.

O primeiro desentendimento público entra a dupla Ba-Vi aconteceu em 1933. O Vitória levou para a toca o maior jogador do Bahia na época, Raul, o autor do primeiro gol da história do clássico. Junto com Raul, os tricolores Alex e Célio e todo o time de aspirantes do Bahia foram para o rival – episódio semelhante aconteceria no início da década de 90, quando o diretor das divisões de base do Bahia, Newton Mota, levou a maioria das promessas tricolores para o arqui-rival.

A ver navios

O Vitória estava interessado no atacante Zé Hugo, do Ilhéus, e bancou a viagem de navio do jogador até a capital baiana, para finalizar as negociações. Os dirigentes do Bahia souberam do interesse e mandaram um emissário a Ilhéus para tomar a mesma embarcação do craque. Lá, o agente tricolor convenceu o atacante e, no desembarque, levou Zé Hugo do Porto de Salvador direto para a sede do Bahia, enquanto o representante rubro-negro, literalmente, ficou a ver navios. Para o Tricolor, valeu a pena atravessar o rival. Zé Hugo marcou época com seus 96 gols pelo Bahia.

Relações cortadas

Um dos maiores desentendimentos da história entre Bahia e Vitória começou em 1955, quando o rubro-negro tentou tirar o ponta Izaltino do tricolor. Como não teve sucesso, o leão partiu para a tentativa de contratar Salvador, que havia assinado com o Bahia. O Vitória negociou diretamente com o Fortaleza, dono do passe, e conseguiu a liberação de Salvador.

Briga por Izaltino motivou o rompimento entre os clubes em 1956.

Em 1956, irritado com o assédio rubro-negro a seus atletas, o Bahia rompeu relações esportivas com o Vitória e tentou dar o troco no rival, sem sucesso, assediando Quarentinha, depois que ele já havia fechado contrato com leão. Em junho daquele ano, o rubro-negro contra-ataca e contrata Shubert, que havia sido dispensado pelo Bahia. Os dirigentes tricolores ficaram furiosos ao saber que o Vitória já tinha acertado a contratação do jogador com o Ceará, detentor do passe, antes mesmo do rompimento de Shubert com o Tricolor. Enciumado, o Bahia entrou na Justiça e conseguiu reaver os direitos sobre o atleta. Mas o Conselho Regional de Desportos reconsiderou a própria decisão e, em 23 de julho, liberou Shubert para atuar pelo Vitória.

Em 5 agosto de 1958, é foi disputada, entre a dupla, a Taça da Amizade, uma iniciativa para tentar reaproximar os rivais. O Bahia venceu por 5 a 1 e “ficou de bem” com o Vitória. Mas a paz durou pouco. Em 17 outubro do mesmo ano, a trégua foi rompida. Iga, trazido pelo Bahia, é assediado pelo rival e vai defender a camisa rubro-negra. O Tricolor emite a seguinte nota: “as relações esportivas estão limitadas às competições de campeonato da LBDT (Liga Baiana de Desportos Terrestres).

Consórcio Ba-Vi

O zagueiro Flávio, hoje no Paysandu, foi um dos atletas do Consórcio Ba-Vi.

No início da década de 1990, a polêmica de bastidores voltou com tudo, mas mudou de foco. Ao invés de jogadores, a transferência de um dirigente que causou alvoroço. A simples troca de um clube pelo outro, em nível de diretoria, já seria digna de nota. Num futebol marcado pelo amadorismo nas questões administrativas, como o brasileiro, a mudança de clube nesta esfera é raríssima. Afinal, o que leva um cidadão a dirigir uma agremiação é, além de vaidade, interesse político e financeiro, sem dúvida, o apego emocional àquela entidade. Até aquele tempo, portanto, a mudança de camisa entre os cartolas estava fora de cogitação.

A ida de Mota para o Vitória, porém, não significou apenas um marco no quesito profissionalização dos dirigentes no futebol da Bahia. Foi além. Isso porque o então diretor das divisões de base do Bahia, Newton Mota, não foi para o rival sozinho - levou consigo cerca de 30 jogadores.

Na eminência de ir para o rubro-negro, Mota, ainda no Bahia, levou o atestado liberatório de cerca de 30 atletas para o então presidente do clube, Paulo Maracajá, que tinha o dirigente como homem de confiança absoluta. Mota estava há oito anos no Bahia. A alegação do diretor era que os atletas não tinham qualidade para defender o tricolor. Sem desconfiar, Maracajá assinou as liberações.

Pouco tempo depois, Mota assumiu a base do Vitória e lá estavam os jogadores que não serviam para o Bahia. O tricolor entrou na Justiça Desportiva requerendo os direitos federativos sobre os atletas. Os tribunais conseguiram um acordo entre as partes. Ficou estabelecido que os jogadores continuariam no Vitória, mas a metade do valor de seus passes tinha que ser repassada ao Bahia assim que eles fossem vendidos. A decisão ficou conhecida como Consórcio Ba-Vi, a união dos clubes por linhas tortas.

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