Bavi - A Maior Rivalidade do Brasil

O Ba-Vi no tapetão

Desde 1953, há mais de 50 anos, portanto, a dupla Ba-Vi protagoniza batalhas nos tribunais da Justiça Desportiva e até mesmo comum, transferindo, lamentavelmente, o foco das atenções do clássico. Com a convicção de que futebol se resolve no campo, o bavi.com.br não gostaria de ter que relatar tais episódios, mas eles são, infelizmente, indispensável para quem quer ficar por dentro da rivalidade entre Bahia e Vitória. Confira, abaixo, a relação dos maiores quiproquós jurídicos da história dos clássicos, onde o destaque negativo é a lambança no Baianão de 1999, quando o torcedor foi feito de palhaço e só soube do resultado final da competição seis anos mais tarde.

Ba-Vi sem o Vitória

A primeira disputa judicial da história envolvendo Bahia e Vitória não foi exatamente uma briga de um contra o outro. O Tricolor só “usou” o rival como pretexto para alterar o resultado de uma partida com o Galícia.

Foi em 1953. No dia 22 de novembro, Bahia e Galícia se enfrentavam pelo Estadual. O temperamental Lierte, do Bahia, acabou expulso após disputa de bola com o adversário. O dirigente tricolor Hamilton Simões achou a expulsão injusta e exigiu que seu time se retirasse de campo, o que acabou acontecendo e forçando a interrupção da partida, aos 15 minutos do segundo tempo. Mas o que o Vitória tinha a ver com isso? De acordo com a versão do rival, tudo!

Alegando que o árbitro havia sido indicado pelo Vitória, numa conspiração para derrotar o esquadrão, a diretoria do Bahia pediu ao presidente da FBDT (Federação Baiana de Desportos Terrestres), José Vieira Nascimento, o imediato afastamento do trio de arbitragem e a complementação do jogo com o Galícia. A FBT atendeu ao pedido do Bahia e marcou o complemento para outra data. No dia marcado, o Galícia não compareceu e deu tricolor, por WO.

Mas, em 9 de fevereiro de 1954, houve uma reviravolta no caso. O Tribunal de Justiça Desportiva da FBDT resolveu punir o Bahia e deu os pontos para o Galícia. Não adiantou o argumento tricolor de que o árbitro havia suspendido o jogo por falta de condições de segurança. O envolvimento do Vitória também não ficou comprovado.

Briga adia em dois anos decisão de campeonato

Na última rodada do Campeonato Baiano de 1959, o Vitória esperava o desfecho do jogo entre Bahia e Galícia para saber se seria ou não campeão por antecipação. Um triunfo do azulino dava o título ao leão. Sucesso do Bahia forçaria a realização de uma melhor de quatro jogos entre a dupla Ba-Vi.

No dia do jogo, o Galícia escalou o recém contratado ponta-esquerda Eliezer. O azulino levou a melhor e venceu por 2 a 0, com gols de Eliezer. A regularização da documentação do ponta tinha chegado dois dias antes à FBDT, vinda, supostamente, da CBD.

O problema é que, dias depois do jogo, chegou à Federação outra regularização de Eliezer, também enviada pela CBD. Um funcionário da FBDT comunicou o fato ao Bahia e o Tricolor começou a investigar. Descobriu que a primeira regularização tinha sido forjada.

Otávio Villas-Bôas, sentado, no centro, foi advogado no Bahia.

Mesmo sabendo que o prazo para a anulação do jogo já havia expirado, o advogado do Bahia, Otávio Villas-Bôas, irmão do então presidente Osório Villas-Bôas, foi à sede da CBD, no Rio de Janeiro, e conseguiu todas as provas materiais da fraude. Sob forte pressão, o presidente do Galícia, Aurélio Viana, confirmou que o clube dele era o responsável pela farsa.

O Bahia entrou no Tribunal de Justiça Desportiva. O presidente do Vitória, Ney Franco, chegou a ameaçar o júri, dizendo que ia “correr sangue” se o time dele perdesse o título. O rubro-negro acabou levando a melhor, por quatro votos a três. O tricolor recorreu no Superior Tribunal de Justiça Desportiva e acabou ganhando por unanimidade – sete votos a zero.

Com o triunfo na Justiça, o Bahia forçou a realização de uma série decisiva contra o Vitória, que só começou em dezembro de 1960, quando o tricolor retornou de uma excursão à Europa. O Bahia venceu o primeiro jogo, perdeu o segundo, venceu o terceiro e, com um 2 a 0 no quarto embate, já em 26 de fevereiro de 1961, ficou com a taça.

A fuga de Alencar

O artilheiro Alencar fugiu da concentração do Bahia em protesto aos salários atrasados.

Em 1961, às vésperas de um Ba-Vi decisivo, Alencar, artilheiro do Bahia, fugiu da concentração tricolor. Em seguida, entrou com ação na Justiça do Trabalho pleiteando o pagamento de três meses de salários atrasados e a rescisão contratual. O advogado de Alencar na causa era o mesmo que prestava serviços para o Vitória!

Explica-se. Dias antes, Alencar recebeu a visita de um colega, jogador do Vitória. Esse emissário teria convencido o artilheiro a abandonar o barco tricolor. O departamento jurídico do Bahia entrou em ação e conseguiu demover Alencar da idéia de deixar o clube, atualizando os pagamentos. No dia do jogo, 4 de maio, o artilheiro se reintegrou ao time, no estádio, e fez o gol da vitória sobre o arqui-rival.

A ordem dos pênaltis

A decisão de turno do Campeonato Baiano de 1972 foi motivo de mais uma peleja da dupla Ba-Vi nos tribunais. No dia 20 de agosto, o Bahia venceu a disputa de pênaltis por 5 a 4. O rubro-negro não aceitou. Entrou na Justiça alegando que o Tricolor havia colocado irregularmente o jogador Mário Braga, na prorrogação. O leão alegou ainda que o Bahia, como vencedor do sorteio com a arbitragem, deveria iniciar as cobranças, o que não aconteceu. Em sua defesa, o Vitória disse ainda que a localização dos goleiros não era a adequada e que a disputa não poderia ter ocorrido em face ao tumulto gerado no campo durante as penalidades.

O Tribunal de Justiça não considerou o choro rubro-negro e confirmou a título do turno para o Bahia, por sete votos a um.

Torneio da amizade termina em guerra jurídica

Torneio organizado para bajular ACM (ao lado de Juscelino Kubitschek) terminou em briga.

Em 1972, com uma grande rivalidade já em voga, Bahia e Vitória acordaram a disputa, entre os dois, da Taça Antônio Carlos Magalhães. Criado para celebrar a amizade entre os co-irmãos, O torneio seria realizado anualmente, numa melhor de três jogos, sempre após o Estadual. No primeiro ano, tudo correu bem e o Bahia foi campeão.

No segundo, porém, a taça foi parar nos tribunais. Alegando irregularidade na documentação dos jogadores rubro-negros que disputaram o primeiro dos três jogos, o Bahia solicitou a impugnação da partida. Com a briga, o presidente da FBF (Federação Baiana de Futebol) resolveu extinguir a competição.

Vergonha

Em 1999 a dupla Ba-Vi escreveu, talvez, o capítulo mais triste e vergonhoso da história do clássico. Bahia e Vitória foram os finalistas do Campeonato Baiano de 1999. O primeiro jogo da decisão era de mando do Tricolor e o segundo do rival. Como o estádio rubro-negro, o Manoel Barradas, estava em reforma, ficou definido que os dois jogos aconteceriam na Fonte Nova.

O tricolor venceu a partida de ida, no Octávio Mangabeira, por 2 a 0, no dia 7 de junho daquele ano. Para o segundo jogo, o Vitória alegou ter concluído as reformas do Manoel Barradas e pediu à Federação Bahiana que transferisse a partida para lá. A FBF atendeu.

Fonte Nova ficou entregue às moscas no dia da final.

Inconformado com a transferência da finalíssima para o Barradão, o Bahia solicitou ao Clube de Regatas Itapagipe que entrasse na Justiça comum pleiteando a realização do jogo na Fonte Nova. O “laranja”, como o Itapagipe ficou conhecido no caso, entrou com uma ação civil pública alegando que o entulho ainda existente no Baradão poderia significar risco para a segurança e integridade física dos torcedores, jogadores, enfim, para as pessoas envolvidas com a partida. O Itapagipe foi acionado pela ligação com o então presidente do Bahia, Marcelo Guimarães, que já havia exercido o mesmo cargo no clube de regatas.

Na semana do clássico, a Justiça deu ganho de causa ao Itapagipe e comunicou a decisão à Federação Bahiana de Futebol. Através do ato oficial 10/99, a FBF fez com que o jogo voltasse para a Fonte Nova e notificou a seus filiados, através de fax e nota nos jornais de maior circulação no estado, dois dias antes da partida.

O Bahia seguiu as novas orientações da Federação e compareceu à Fonte Nova no dia 13 de junho, juntamente com o trio de arbitragem contratado pela FBF e chefiado pelo uruguaio Gustavo Méndez. Alegando não ter sido notificado, o Vitória não compareceu ao estádio, descumprindo orientação da Justiça e da FBF. Com a ausência do adversário, o árbitro Gustavo Méndez decretou WO e apontou o Bahia como vencedor do jogo.

A FBF, porém, não ratificou a posição do árbitro e deixou o título sub-judice. A partir daí travou-se uma verdadeira batalha nos tribunais até que, em 2004, o STJD determinou que a FBF decidisse a situação. Em 2005, a Federação finalmente proclamou Bahia e Vitória como campeões daquela competição.

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